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BaitaBoost: o que é, de onde vem e para onde vai

Por que construímos o BaitaBoost, em quem nos apoiamos e o que aprendemos nas primeiras duas semanas.

Renato Toi · 5 min de leitura ·

Peter Drucker dizia que toda empresa deveria responder, de tempos em tempos, a três perguntas simples: qual é o nosso negócio, quem é o nosso cliente e o que o cliente valoriza. São perguntas simples de enunciar e trabalhosas de responder. Ajudar empresas a respondê-las é o que a Baita Aceleradora faz desde 2013. O BaitaBoost é a nossa tentativa de fazer isso melhor, mais rápido e para mais gente.

Este blog vai contar essa tentativa em tempo real, inclusive as partes que não saírem como planejado. Se a gente recomenda às startups que testem hipóteses em público, o mínimo é fazer o mesmo.

De onde viemos

A Baita nasceu em junho de 2013, no Parque Científico e Tecnológico da Unicamp, em Campinas. Desde então acompanhamos startups e empresas de base tecnológica em todas as fases que Ichak Adizes descreve no ciclo de vida das organizações: do namoro com a ideia à primeira crise de crescimento, que costuma chegar antes do previsto.

Em 2023 a Baita Aceleradora foi credenciada como prestadora de serviços de aceleração na Chamada FAPESP 37/2023. O credenciamento é da Baita Aceleradora, e as práticas que propusemos naquela ocasião continuam sendo o esqueleto do nosso trabalho: diagnóstico no início, Status Day e Office Hour toda semana, oficinas, mentorias, Demoday e acompanhamento de indicadores.

Em outubro de 2026 começamos a construir o BaitaBoost. A primeira turma que ele atende são as empresas aprovadas no edital Tecnova III SP, que já preveem recursos para serviços de aceleração.

O que é, em uma frase

Uma jornada de 10 etapas, com 3 decisões de avanço, em que agentes de inteligência artificial preparam o trabalho e pessoas decidem.

Em cada etapa, a empresa escolhe seguir no automático, com os agentes, ou pedir apoio da equipe Baita. Pode trocar de modo quando quiser. Descobrimos cedo que fundadores gostam de autonomia até o dia em que precisam de alguém para ligar às 23h. Os dois caminhos ficam abertos.

Quatro regras orientam o produto:

  • Agentes preparam, humanos decidem. Nada externo ou irreversível acontece sem que uma pessoa aprove.
  • Toda afirmação diz o quanto sabemos. Fato e evidência vêm com fonte. Hipótese aparece como hipótese. Quando não há dado, a tela mostra que não há dado, em vez de um número bonito e inventado.
  • Cada empresa vê só o que é seu. Os dados ficam isolados por organização.
  • Tudo fica registrado. Decisões, versões e assinaturas têm histórico permanente.

Em quem nos apoiamos

Não inventamos o método do zero. Pegamos emprestado de gente que pensou muito antes de nós e tentamos dar o crédito devido:

  • Peter Drucker, pelas perguntas sobre negócio, cliente e valor, e pela ideia de que o propósito de uma empresa é criar um cliente.
  • Steve Blank, por nos lembrar que nenhum fato mora dentro do escritório. The Four Steps to the Epiphany (2005) e The Startup Owner's Manual (2012, com Bob Dorf).
  • Eric Ries, The Lean Startup (2011), pelo ciclo construir, medir e aprender.
  • Alexander Osterwalder e Yves Pigneur, Business Model Generation (2010) e Value Proposition Design (2014), pelas telas que todo mundo já colou na parede.
  • Clayton Christensen, Competing Against Luck (2016), pela pergunta sobre qual trabalho o cliente contrata o produto para fazer.
  • Regis McKenna, Relationship Marketing (1991), pela ideia de que mercado se conquista com credibilidade e diálogo.
  • Ichak Adizes, Managing Corporate Lifecycles, por mostrar que cada fase da empresa tem problemas normais e problemas que pedem tratamento.
  • Marc Andreessen, pelo conceito de product/market fit e pela lembrança de que, antes dele, quase nada mais importa.
  • Paul Graham, por Do Things that Don't Scale (2013) e pelo hábito de escrever com palavras simples.
  • John Doerr, Measure What Matters (2018), pelos OKRs.
  • Diller, Shedroff e Rhea, Making Meaning (2005), pelo pilar de propósito.
  • Timoshenko e Hauser (Marketing Science, 2019) e Robert Kozinets (Netnography, 2020), por mostrar que boa parte do que os clientes precisam já está escrito em público, esperando alguém ler.
  • E o velho PDCA de Shewhart e Deming, que roda dentro de cada etapa da jornada.

Linha do tempo até aqui

  • 20/10/2026: primeira linha de código. Organizações, papéis, governança e registro de auditoria.
  • Fim de outubro: jornada com etapas, decisões de avanço e critérios; time de agentes com níveis de autonomia; experimentos e maturidade.
  • 30/10/2026: equipe Baita, fundadores e agentes pessoais; landing pública e a página da oferta Tecnova III.
  • 31/10/2026: adesão com contrato e assinatura eletrônica; histórico de interações; biblioteca de artefatos por projeto.
  • 01/11/2026: a interface ficou complicada demais e ouvimos isso com todas as letras. Reconstruímos em torno de uma pergunta só: qual é o próximo passo? Ganhou tela Hoje, trilha de marcos e adaptação ao nível de cada usuário.

O que vem agora

  • Mostrar cada fluxo de trabalho na tela, com o estado de cada etapa e o botão certo para o momento.
  • Terminar a homologação completa da adesão, da descrição dos serviços à assinatura do contrato.
  • Colocar em prática a escuta ativa: encontrar o que os clientes já disseram em público antes de marcar a próxima entrevista.

Fred Wilson escreve o AVC desde 2003 e sempre tratou os comentários como parte central do blog. Vamos testar essa hipótese também. O que você gostaria de ver o BaitaBoost resolver primeiro?

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